Carreira

O que aprendi dando aula de MS Project pra quem nunca viu gestão de projetos

Quando aceitei lecionar MS Project no Senac, imaginei que o maior desafio seria dominar cada recurso da ferramenta. Estava errado. O maior desafio foi perceber que a maioria dos alunos nunca tinha ouvido falar em EAP, caminho crítico ou baseline.

Eu preparei um plano de aula detalhado, com exercícios progressivos, simulações de cenário e até uma dinâmica de grupo onde cada equipe gerenciaria um projeto fictício. Na primeira aula, percebi que precisava dar três passos para trás antes de dar um para frente.

O ajuste que fiz

Ao invés de começar pela ferramenta, comecei pelo conceito. Dediquei a primeira aula inteira a responder uma pergunta simples: por que projetos dão errado?

Pedi para cada aluno contar uma situação onde algo saiu do controle — uma mudança, uma reforma, até organizar um evento. A partir dessas histórias reais, introduzi os conceitos de escopo, prazo e custo.

Só na segunda aula abri o MS Project. E quando abri, os alunos já sabiam o porquê de cada campo que estavam preenchendo.

O que isso me ensinou sobre ensinar

Ferramentas são meios, nunca fins. Se eu tivesse seguido o plano original, teria formado alunos que sabem clicar nos botões certos, mas não sabem por que estão clicando.

Essa experiência mudou minha forma de preparar aulas. Agora, antes de montar qualquer material, me pergunto: “se o aluno nunca ouviu falar disso, qual é a primeira pergunta que ele faria?” E começo por aí.

É um exercício de empatia que vai muito além da sala de aula — e que me fez melhor profissional no dia a dia do banco também.